Chamada popularmente de “safrinha”, por tratar-se de um plantio iniciado tradicionalmente após a retirada da safra principal (hoje chamada “safra de verão”) – notadamente no início do ano – a produção fora de época costumava ser vista como um cultivo de baixo investimento. Mas, nos últimos tempos, a demanda aquecida e os bons preços das commodities vêm provocando mudanças na mentalidade do produtor, que vislumbra uma grande oportunidade de ampliar sua produção – e, consequentemente, ganhos – principalmente de milho e sorgo, mas também da soja e algodão. No caso do milho, nos últimos anos a safrinha vem registrando produções iguais ou até maiores que da safra principal. E isso é resultado de manejos muito bem planejados e executados.

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safrinha de milho 2019/2020 foi de 75 milhões de toneladas no País e a expectativa é de que a safrinha 2020/2021 seja em torno de 10% maior. Vale lembrar que a safra diz respeito ao cultivo realizado logo após o retorno das chuvas, ou seja, uma época de condições extremamente favoráveis ao cultivo – no caso do milho, de outubro a dezembro. Já a safrinha acontece logo após a colheita da safra e seu nome faz referência à menor produtividade observada nessa época, devido principalmente às condições climáticas menos favoráveis. A mudança de paradigma, no entanto, faz com que o mercado, aos poucos, vá abandonando a denominação diminutiva “safrinha” para adotar o termo “segunda safra”, mais condizente com a nova realidade.

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP), a primeira safra foi prejudicada pela instabilidade climática nas principais regiões produtoras, o que manteve os estoques de milhos baixos em todo o Brasil. Ainda assim, a procura continua aquecida, tanto no mercado interno quanto externo. Isso seria reflexo da crescente demanda da pecuária e também da abertura de novas usinas de etanol de milho nos Estados e Goiás e Mato Grosso em 2019, o que deve manter os preços internos em patamares elevados. Por sua vez, as exportações devem ser favorecidas pelo elevado valor do dólar, além das altas nas cotações internacionais.

O engenheiro agrônomo Júlio Mário de Freitas, supervisor de vendas da Multitécnica, lembra que nem todos os produtores plantam em 100% da área na safrinha. “Tem alguns com soja muito tardia que perdem um pouco da janela, naqueles anos em que a chuva demora e o plantio da soja atrasa. Aí acabam plantando só nas áreas de cobertura ou em algumas de sorgo, por exemplo, sem muito investimento, para ver o que ‘vai virar’ na colheita. Mas, tratando-se do milho, com a safrinha bem feita, em anos normais, ela pode representar 40% ou mais do faturamento anual de uma fazenda aqui na região”, diz, referindo-se às áreas rurais de Unaí (MG), Cristalina (GO) e Brasília (DF), onde já é costume fazer duas safras anuais.

O cultivo do “milho safrinha”, no entanto, é considerado uma atividade de risco, principalmente quando a semeadura ocorre fora do período recomendado pelo zoneamento agrícola de risco climático. Freitas explica que as perspectivas econômicas para este ano estão muito boas, em decorrência dos bons preços praticados no mercado, mas alerta para os veranicos que podem oferecer riscos. “A chuva começou bem na região, no final de outubro, mas houve períodos de 15, até 18 dias, sem chuvas, o que torna a safrinha imprevisível. Muitas vezes a previsão marca a vinda de chuvas, mas elas não se concretizam”, diz. Apesar disso, ele é otimista.  “As áreas que foram plantadas com soja mais precoces conseguem ter uma janela para o milho melhores, até mesmo em função de contratos futuros.” Segundo ele, algumas áreas já tiveram início da colheita de soja, outras vão começar em fevereiro e março, inclusive de sequeiro. “É normal a gente ver casos de milho acima de 180, 200, 220 sacos por hectare. Até 240 tem cliente que já colheu”, conta.

Muitas vezes o milho safrinha é plantado em consórcio com plantas de cobertura, como a braquiária, o trigo mourisco e a aveia preta, o que resulta numa palhada interessante para o posterior plantio do verão. “O uso de plantas de cobertura é muito difundido na região. A maior parte dos produtores tenta evitar deixar o solo desnudo, prefere mantê-lo sempre coberto.” Ele lembra que também o trigo tem um bom valor econômico no mercado e pode ser objeto da safrinha, mas não é toda região que serve para esta cultura, em razão da temperatura, entre outros fatores.

Turbinando a produção

Com os bons preços das commodities, pode ser vantajoso ao produtor investir em fertilizantes foliares e de base para incrementar a produção, em contraponto à fertilização residual (da safra) tradicional. “Um bom manejo, um manejo nutricional completo, eleva muito a produtividade e ajuda a planta a suportar melhor o período de estresse, de poucas chuvas. Portanto, sim, o investimento deve ser mantido, a não ser que os preços praticados no mercado estejam muito ruins”.

Para ajudar neste aspecto, ele recomenda o New Max, produto da Multitécnica que entrega resultados muito visíveis e rápidos. “O New Max é uma ótima ferramenta no manejo, que ajuda muito a planta a se recuperar, a dar vigor tanto na fase inicial quanto no pós-plantio. Ele é indicado também para todos os períodos pré e pós-estresse. Então, se o produtor imagina que vai ter um veranico, a gente faz uma aplicação de aminoácidos antes”, diz. O New Max é indicado em qualquer fase da cultura, sendo muito utilizado pelos produtores no início de seu desenvolvimento para acelerar o processo.

Outro produto indicado para incrementar a produção da segunda safra é o Multi Turbo, que ajuda a plantação a suportar qualquer fitotoxidez e a tolerar melhor o estresse pós-veranico. “É um produto que agrega muito no acúmulo de proteínas dentro do grão, dá ‘enchimento’ ao grão. É também um ótimo aliado no crescimento como um todo da planta. Trata-se de um fertilizante a base de extrato de algas e zinco orgânico, que tem efeito no desenvolvimento dos genes radiculares e das gemas apicais. Então, ele ajuda muito no enraizamento da planta quando utilizado no tratamento da semente ou numa fase inicial da cultura e auxilia muito também no desenvolvimento pré-florada”, afirma.

 

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