A nova geografia da citricultura no Brasil

A nova geografia da citricultura no Brasil

A citricultura no Brasil ganha novas áreas livres do greening, com expansão para MS, Nordeste e Amazônia. 

 


Expansão da citricultura para além do Cinturão Citrícola tradicional

A citricultura brasileira, historicamente concentrada no Cinturão Citrícola, que compreende o Estado de São Paulo, o Triângulo Mineiro e o Sudoeste de Minas Gerais, está passando por uma reconfiguração geográfica. Diante do avanço da huanglongbing (HLB, conhecida como greening),a cultura dos citros busca novas áreas menos suscetíveis à doença, abrindo espaço para projetos no Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, Distrito Federal, Nordeste e Amazônia.

Esse movimento marca o surgimento do chamado Cinturão Citrícola Expandido (CCE),com suporte técnico de instituições como a Embrapa e o Fundecitrus, que vêm oferecendo ferramentas para orientar os produtores nesse processo de migração, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc).

O Zarc avalia a probabilidade de perdas em todas as fases do ciclo produtivo, da floração à colheita, permitindo o planejamento estratégico da expansão para áreas com menor risco climático e fitossanitário.

 

Greening: o principal fator de pressão pela migração dos pomares

Considerada a mais grave e destrutiva doença da citricultura mundial, o greening continua avançando em São Paulo, principal polo da produção de laranjas para a indústria e exportação. A doença, transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri, não tem cura e provoca a perda de qualidade e produtividade das plantas.

Para minimizar os riscos nas novas áreas, a Embrapa em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura(Fundecitrus),com financiamento da Fapesp, estão desenvolvendo o projeto de Zoneamento de Favorabilidade à Ocorrência de Psilídeo e de Podridão Floral dos Citros (PFC),que prevê mapear os riscos fitossanitários sob diferentes cenários climáticos. A previsão é que os primeiros mapas estejam disponíveis ainda em 2025, reforçando o planejamento seguro da migração.

A nova geografia da citricultura no Brasil

Nordeste resgata seu protagonismo histórico na produção de citros

A expansão da citricultura no Nordeste representa mais do que uma resposta ao greening. Trata-se também de um resgate histórico: segundo a Embrapa, as primeiras sementes de laranja doce (Citrus sinensis) foram introduzidas na Bahia entre 1530 e 1540. A famosa laranja Bahia nasceu no bairro do Cabula, em Salvador, e ganhou projeção internacional após sua introdução na Califórnia, nos Estados Unidos.

A modernização tecnológica, com sistemas de irrigação inteligente e mecanização da poda, vem viabilizando a retomada da cultura na região, potencializando a produtividade e gerando impacto social positivo nas comunidades locais.

Gigantes do setor apostam na migração para o Centro-Oeste

De acordo com o Fundecitrus, o movimento de migração dos pomares começou a ganhar força em 2023 e se intensificou em 2024. A busca por áreas livres do greening, aliada ao bom ambiente de produção e à legislação mais rígida em estados como o Mato Grosso do Sul, atraiu investimentos de grandes grupos citrícolas:


– Cambuhy Agrícola (Ribas do Rio Pardo – MS): geração de 1.200 empregos diretos.
– Grupo Moreira Sales (Ribas do Rio Pardo – MS): R$ 1,2 bilhão de investimento, 1.200 empregos diretos, 2.400 indiretos.
– Agroterenas (Mato Grosso do Sul): 1.500 hectares até 2026.
– Cutrale (Sidrolândia – MS): 4.800 hectares em fase inicial de plantio.
– Citrosuco (Costa Leste – MS): planejamento de instalação industrial na região.
– Grupo Junqueira Rodas (Paranaíba – MS): 1.500 hectares.

O Mato Grosso do Sul já conta com 15 mil hectares plantados e expectativa de chegar a 30 mil hectares nos próximos anos. O governo estadual tem investido em infraestrutura e logística para apoiar esse crescimento, destacando-se pela política de “tolerância zero” ao greening.

 

Amazônia entra no radar da produção cítrica nacional

A Amazônia Brasileira também aparece como uma alternativa estratégica para a produção de citros, com casos de sucesso que antecedem o avanço do greening. Um exemplo é a Citropar Agropecuária, pioneira na região, que há mais de 20 anos cultiva laranjas com licenciamento ambiental completo e foco em práticas sustentáveis.

A empresa mantém produção de laranja Pera Rio, limão Taiti, tangerina Pokan e Mearina, abastecendo tanto o mercado atacadista quanto o varejo nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.

 

Nutrição, manejo e controle fitossanitário: a base para a sustentabilidade dos novos pomares

Mesmo nas áreas livres do greening, o cuidado com o manejo nutricional e fitossanitário é indispensável para garantir longevidade e produtividade aos pomares.
O técnico em agropecuária Juarez Duella, supervisor de vendas da Multitécnica, reforça a importância de manter um protocolo rigoroso de controle nas áreas de migração:

 

A nova geografia da citricultura no Brasil“As medidas desenvolvidas e implantadas pelos pesquisadores brasileiros deram sobrevida à cultura, especialmente no Estado de São Paulo, superando o período crítico dos primeiros anos de plantio. Por isso, o produtor que está migrando não pode baixar a guarda. O controle fitossanitário tem que seguir firme para não levar o greening para as novas regiões”, alerta Juarez.

 

 

 

Na formação do pomar, ele destaca a necessidade de preparo adequado do solo com calcário, gesso, fósforo e micronutrientes, principalmente boro, manganês e zinco, e coberturas de NPK ao longo do ciclo. A Multitécnica oferece suporte tanto com a linha MicroSolo quanto com soluções líquidas que podem ser aplicadas via solo , incluindo:

  • Gran Boro 10:, borato parcialmente acidulado proporcionando melhor aproveitamento do boro;
  • Mega Bor: tetraborato de sódio, uma fonte 100% solúvel de boro, associado a Magnésio e enxofre;;
  • Linha Gran BR:, borato parcialmente acidulado combinado à Cu, Mn e Z;n
  • Lithomax, fertilizante de fontes nobres e de alta solubilidade de Ca, Mg e B;
  • Boro 10 Plus, solução líquida na forma de pentaborato de sódio, trazendo praticidade junto à aplicação de herbicidas.

A nova geografia da citricultura no Brasil

Para aplicações foliares, a recomendação envolve a linha Multifol, com nutrientes nas três fontes (nitrato, sulfato e cloreto) e a linha Gold Citros, formulada especialmente para citros com mix balanceado de zinco, manganês, magnésio, boro e molibdênio, junto a NK.

“Temos um portfólio construído há mais de 15 anos ao lado do citricultor, o que nos permite atender tanto com soluções completas quanto com nutrientes isolados para correções pontuais”, conclui Juarez.