A Hora e a Vez do Cacau: alta nos preços e expansão da cultura no Brasil

A Hora e a Vez do Cacau: alta nos preços e expansão da cultura no Brasil

A produção de cacau no Brasil ganha força com a alta histórica dos preços e o aumento da demanda interna e externa.

 


Oportunidade histórica: alta nos preços e nova expansão da cultura do cacau

O mercado global de cacau atravessa um dos momentos mais aquecidos das últimas décadas. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia),o preço da tonelada de cacau registrou alta de 189% em 12 meses, chegando a picos de até 282% no final de 2024. Isso impulsiona a expansão da cultura para novas regiões e reacende a discussão sobre o potencial produtivo do Brasil no cenário internacional.

O País já esteve entre os três maiores produtores globais na década de 1980, com uma produção anual de cerca de 400 mil toneladas. Porém, o impacto devastador da vassoura-de-bruxa reduziu drasticamente esse número para cerca de 100 mil toneladas no início dos anos 2000. Hoje, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking mundial, com produção próxima de 200 mil toneladas anuais, distribuídas em 600 mil hectares cultivados por cerca de 75 mil produtores, sendo 60% da agricultura familiar.

Apesar da recuperação parcial, o parque moageiro brasileiro, com capacidade para processar mais de 300 mil toneladas/ano, ainda opera abaixo do potencial e precisa importar amêndoas, principalmente da África, para atender à demanda da indústria.

 

O cenário global e a janela de oportunidade para o Brasil

O déficit mundial de cacau, que ultrapassou 400 mil toneladas em 2024, somado à alta concentração da produção em dois países africanos, Costa do Marfim (1,8 milhão de toneladas) e Gana (700 mil toneladas),torna o mercado extremamente vulnerável a fatores climáticos e pragas.

Esse cenário cria uma oportunidade para países como o Brasil, que, além de produtor, também é importador e consumidor. Segundo a AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau),o Brasil é o quinto maior consumidor de chocolate no mundo e gera cerca de 300 mil empregos diretos em toda a cadeia produtiva.

“A África é um grande produtor, mas praticamente não consome cacau. Já o Brasil tem todos os elos da cadeia: produção de amêndoas, indústria moageira e um mercado interno robusto”, destaca Anna Paula Losi, presidente-executiva da AIPC.

A Hora e a Vez do Cacau: alta nos preços e expansão da cultura no Brasil

Panorama da produção brasileira: onde estamos e para onde vamos

Atualmente, os estados da Bahia (400 mil hectares) e do Pará (205 mil hectares) concentram 96% da produção nacional de amêndoas de cacau. Estados como Espírito Santo, Rondônia, Amazonas e Mato Grosso contribuem com volumes menores, mas outras regiões estão em expansão, como Roraima, Amapá, Ceará, Sergipe, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins.

Segundo a AIPC, a indústria processadora brasileira recebeu 179.431 toneladas de amêndoas em 2024, uma redução de 18,5% em relação a 2023. Enquanto isso, as importações de amêndoas caíram de 43.106 toneladas para 25.501 toneladas, mas as exportações de derivados cresceram 6,2%, alcançando 50.257 toneladas.

 

Plano Inova Cacau 2030: dobrar a produção e fortalecer a cadeia nacional

Lançado em 2023 pela Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira),o Plano Inova Cacau 2030 tem como meta elevar a produção brasileira para 400 mil toneladas anuais até 2030. O projeto une esforços públicos e privados, com a participação de gigantes do setor como Nestlé, Barry Callebaut, Cargill e Mondelēz International.

A Hora e a Vez do Cacau: alta nos preços e expansão da cultura no Brasil

///A PROPOSTA INCLUI:

  • Melhoramento genético com mais de 50 variedades clonais desenvolvidas
  • Disseminação de práticas sustentáveis e de manejo de alta produtividade
  • Incentivo à expansão para novas regiões produtoras

“O Brasil tem vantagens competitivas: infraestrutura consolidada, experiência agrícola e um mercado consumidor interno sólido”, afirma Chris Vincent, presidente da Fundação Mundial do Cacau (WCF).

 

 

 

 

Manejo nutricional e fitossanitário: ponto-chave para ganhar produtividade

Um dos principais gargalos para o aumento da produção nacional é o manejo nutricional adequado. A baixa produtividade em várias regiões do Brasil é resultado, em muitos casos, da falta de equilíbrio nutricional do solo e de deficiências no combate a pragas e doenças

O engenheiro agrônomo Igor Santana Kiepper, supervisor regional de vendas da Multitécnica na Bahia, reforça que o sucesso da produção de cacau passa pela adoção de tecnologias de manejo, como fertirrigação e pulverizações complementares à adubação via solo.

A Hora e a Vez do Cacau: alta nos preços e expansão da cultura no Brasil“Temos registrado êxito com a aplicação do Gran BR7, para correção de todos os micronutrientes, e do Gran Boro 10, para elevação dos níveis de boro. A dose varia conforme análise de solo e produtividade esperada”, explica Igor.

 

 

 

 

Para a pulverização foliar, ele recomenda produtos da linha Multifol, com aplicações estratégicas pós-poda e pós-florada, etapas críticas para o vigor das plantas e estabelecimento das flores.

 

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Além do manejo nutricional, é importante sempre estar atento a medidas de manejo, seja nutricional e/ou fitossanitário, de caráter  preventivo, contra os principais distúrbios e doenças do cacau, como a Monilíase, que apesar de ainda ser quarentenária no Brasil, os riscos de disseminação são elevados, devido a severidade do fungo, necessitando de debate constante pelos órgãos de pesquisa, empresas do setor e atenção redobrada pelo produtor.

A Monilíase é uma doença de difícil convivência, por não se dispor ainda, de técnicas eficazes para o seu controle, sendo o manejo integrado, a forma mais eficiente de controle simultâneo das principais doenças do cacaueiro (Podridão Parda, Vassoura-de-bruxa e Monilíase).


FAQ’s – Perguntas Frequentes sobre a produção de cacau no Brasil

Por que o preço do cacau subiu tanto em 2024?
Devido ao déficit global na oferta de amêndoas, agravado por fatores climáticos e concentração da produção em poucos países africanos.

Qual é a posição do Brasil no mercado mundial de cacau?
O Brasil é o sexto maior produtor, mas também importador, processador e quinto maior consumidor mundial de chocolate.

O Brasil pode voltar a ser um dos maiores produtores globais?
Sim. O Plano Inova Cacau 2030 tem como meta dobrar a produção nacional até 2030, atingindo 400 mil toneladas/ano.

Quais estados brasileiros lideram a produção de cacau?
Bahia e Pará, responsáveis por 96% da produção nacional.

O que pode melhorar a produtividade do cacau no Brasil?
Investimento em manejo nutricional, uso de variedades clonais, controle de pragas e expansão para novas áreas com boas   agrícolas.