Restrições internacionais ao ácido bórico e escassez de ulexita no mercado global vêm impondo novos desafios ao suprimento de boro na agricultura
Pressão regulatória sobre o ácido bórico
Desde 2019, o ácido bórico foi classificado pela OMS/Codex como substância tóxica à reprodução (Repr. 1B – H360FD),capaz de afetar a fertilidade e o desenvolvimento fetal. Essa definição foi incorporada pelo Sistema Globalmente Harmonizado (GHS) e adotada pela ONU (OMS/ILO),influenciando normas sanitárias, fitossanitárias e certificações internacionais.
No setor sucroenergético, por exemplo, usinas certificadas pela Bonsucro, que seguem parâmetros europeus, já se veem obrigadas a substituir o ácido bórico. Em alguns casos, a permanência do uso só é possível mediante laudo técnico que comprove segurança ocupacional; em outros, a busca por um “Plano B” é inevitável.
Embora seja uma fonte acessível de boro e apresente boa solubilidade, o ácido bórico carrega o ônus regulatório e o risco de fitotoxicidade quando mal manejado.
Diante deste cenário, é preciso buscar um Plano B – no caso, o tetraborato de sódio, que é um excelente produto.
A principal diferença entre ambos, para o produtor, é que o ácido bórico, exatamente por ser um ácido, tende a abaixar o pH da calda, facilitando a aplicação foliar ou em conjunto com o herbicida. O tetraborato, por sua vez, é um produto mais neutro, mais alcalino, e tende a elevar um pouco o pH da solução.
A alternativa, para quem for fazer a aplicação foliar ou via herbicida, seria adicionar ácido fosfórico ou algum outro redutor de pH na calda.
Escassez de ulexita
A ulexita é um mineral da classe dos boratos, sendo mais especificamente um borato hidratado de sódio e cálcio, indicado para prevenir e manter os programas de fertilização das lavouras em que o elemento boro é requerido.
No entanto, a demanda global por esse elemento tem aumentado bastante fora do setor agrícola, impulsionada pela indústria de vidro e fibras de vidro, além dos segmentos de cerâmica, papel e celulose. Como resultado, os estoques internacionais estão baixos e os preços têm subido.
Além disso, os custos de produção de ulexita aumentaram devido à elevação do preço do gás natural e dos fretes, dificultando a produção e o abastecimento industrial. Interrupções na cadeia global motivadas pela pandemia do coronavírus, turbulências políticas e regulações ambientais também intensificaram essa pressão.
Desta forma, a agricultura tem competido com setores industriais maiores e mais estruturados, por uma oferta já limitada de ulexita.
Por que o tetraborato de sódio é a resposta?
O tetraborato de sódio, comercialmente conhecido como bórax, surge como uma fonte de boro tecnicamente eficiente, sanitariamente segura e logisticamente estável, alinhada às exigências de certificações internacionais e sem as restrições de classificação toxicológica.
Vantagens agronômicas
- Liberação gradual de boro, minimizando lixiviação em solos arenosos.
- Menor risco de fitotoxicidade em comparação ao ácido bórico.
- Versatilidade de uso: aplicável em misturas granuladas, fertirrigação ou pulverização foliar, inclusive como matéria-prima para NPK+B e condicionadores de solo enriquecidos.
- Fonte consistente para culturas com demanda contínua de boro, como cana-de-açúcar, algodão, soja e hortaliças.
Observação técnica
Por ser mais alcalino, o tetraborato tende a elevar levemente o pH da calda, ao contrário do ácido bórico, que o reduz. Em aplicações foliares ou associadas a herbicidas, pode ser necessário corrigir o pH com ácido fosfórico ou outro acidificante.

EN

